19 de janeiro de 2018

Jantar da Amizade.


   Há um ano, um amigo comum fez uma fractura delicada e teve de ser intervencionado cirurgicamente. A amizade havia-se cimentado uns meses antes, quando, num determinado jantar, confraternizámos por longas horas. Uma leitora de blogues, conhecida por todos, resolveu marcar um jantar para levantar o astral ao dito amigo. Esse jantar ocorreu num restaurante vegan, muito simpático. Reunimos cinco pessoas.

   Este ano, e sem qualquer compromisso anterior, falou-se em repeti-lo no mesmo dia, 3 (com um dia de diferença, na verdade), para celebrar o início de uma história de encontros e peripécias. Assim foi. A reserva está feita. O jantar não está a ser organizado por mim, mas digamos que dei uma mãozinha. Fiquei de fazer a reserva. Foi feita duplamente.

   A que propósito vem o assunto: o jantar, as usual, está aberto a quem quiser participar. O amigo (pouco secreto) é o Francisco, do blogue do Olimpo, e está todo entusiasmado com o seu primeiro, e honroso, jantar. Somos, ao que tudo indica, umas nove pessoas, mas mais se poderão chegar. Podem confirmar a vossa presença através do e-mail do meu blogue, que encontrarão no vosso canto superior direito, ou através do e-mail do Francisquito, que encontrarão lá pelo seu espaço. Não tenham medo, porque ninguém morde. Se o problema é tornarem-se conhecidos, uma palavra: primeiro, só custa a primeira vez (e nem custa, a bem dizer); segundo, muitos já são conhecidos por todos e pensam que não, logo, só há benefícios. Claro que só vem quem quer, e pedinchar não faz o meu estilo - não o fiz para o meu jantar de Natal, menos o faria agora.

    Está o assunto tratado. É convosco. :)


15 de janeiro de 2018

Cultural Sunday [Take 2].


   O prometido é devido. Ontem, mantendo-me fiel ao que delimitei para este início de ano, fui ao encontro de mais um dos inúmeros monumentos que Lisboa tem para nos oferecer, o Palácio Nacional da Ajuda. Quanto ao percurso, nada há a enganar: o 28 até Belém, seguindo-se o 29, para quem não quer subir a calçada da Ajuda, até ao palácio. Quando chegamos ao alto da calçada, deparamo-nos com as traseiras do palácio, que como se sabe, está inacabado. Contornamo-lo pela direita e rapidamente chegamos à entrada principal, imponente. Poderão verificar.


Sumptuoso, é o adjectivo possível

   O Palácio Nacional da Ajuda é uma obra novecentista. Importa fazer certa contextualização histórica, mui sucinta. Nos terrenos em que se situa o palácio, erguia-se a Real Barraca da Ajuda, surgida com a fobia de Dom José a recintos fechados, na sequência do sismo. A Real Barraca ardeu em 1794, e Dom João VI, príncipe regente, ordenou que se lançasse a primeira pedra do futuro paço da Ajuda, construído ao longo de várias dezenas de anos - até à actualidade. A consolidação do liberalismo retirou peso político à coroa e transferiu-a para o governo constitucional, daí que o palácio mantenha fachadas por concluir até aos nossos dias. Por lá ocorreram alguns dos episódios mais significativos da nossa história, desde a comunicação aos portugueses dos motivos que levavam a corte para o Brasil, passando pela aclamação de Dom Miguel e pelo juramento de Dom Pedro IV à Carta Constitucional de 1826. Todavia, o casal régio Dom Luís e Dona Maria Pia, que o tomaram por residência, deram, ao palácio, a configuração, inclusive no seu rico recheio, que lhe conhecemos. Na Ajuda, nasceram os infantes Dom Afonso e o futuro Dom Carlos, penúltima cabeça a reinar em Portugal, de desditoso destino. Ainda hoje, para cerimónias solenes, o palácio é utilizado pela Presidência da República. Deixo-vos algumas fotos das setenta - sim, contabilizei-as - que tirei.




Na primeira foto, um óleo do século XIX, contemporâneo dos retratados. Surgem Dona Maria Pia de Saboia, os infantes Dom Carlos e Dom Afonso e Dom Luís. Na segunda, umas das salas mais bonitas do Palácio Nacional da Ajuda: a Sala Rosa.



Na primeira foto, a sala de jantar, onde a família real se deleitava com cozinhados que tão mal faziam à saúde, muito à base de carnes de porco e fumados. Assuntos políticos e coscuvilhices ficavam de fora. Na segunda, o grande salão de banquetes, ainda hoje usado pela Presidência da República em alguns eventos.


   Quem me segue através de outras plataformas, vai tendo acesso ao acervo. Não quero saturar a publicação com fotos, e o Blogger não tem um mecanismo muito fácil, do ponto de vista do utilizador, para publicar várias num único post com um efeito final agradável à vista. Ando a pensar em criar uma conta de Tumblr para o blogue, que na verdade já existe. Aí colocaria as fotos. Bom, ficam com uma ideia geral.
   O palácio é encantador. Tem a sala do trono, várias antecâmaras, os aposentos reais. Um mimo! No final da visita, pelo menos passou-se comigo, ficamos com a sensação de tudo visto. Subimos e descemos escadarias até perder a conta. Claro está que há divisões fechadas ao público, mas compensa, sim. Não poderei dizer o mesmo de Queluz e da Pena, maravilhosos, seguramente, e valem muito a pena, mas parece que nos reservam umas salinhas para dar a ligeira impressão de que ficamos a conhecer os palácios.


  Uma palavrinha para sábado. Estive na gala de entrega dos Prémios Arco-Íris, da ILGA Portugal. Tive de sair mais cedo, mas gostei do que vi, da organização, do espaço, que conhecia, e da atmosfera. A vibe era boa. Aqui fica o testemunho em imagem. :)



   E assim termina mais um relato de domingo. O palácio consumiu-me a manhã toda. Não vi mais nada. Passeei à beira-rio. Também convém, para ir tendo sempre o que ver. E por falar em ver, já sei o que farei no próximo domingo, e onde irei, mas vocês saberão no devido momento. :)


Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.






9 de janeiro de 2018

Cultural Sunday.


   Primeiro domingo do mês, primeiro domingo do ano. A decisão já estava tomada. Iria aproveitar o dia para visitar alguns museus grátis apenas ao primeiro domingo. A maioria dos museus está aberta, gratuitamente, a todos os domingos. Entretanto, alguns há que só admitem entradas gratuitas ao primeiro de cada mês. Passos Coelho, na altura, alterou a regra. Todos os museus só admitiriam, a partir de então, entradas gratuitas ao primeiro domingo. António Costa, e bem, repristinou a medida anterior, devolvendo os museus aos domingos.

   Sendo sincero, levantar cedo, ao fim-de-semana, não me custa. E nem o frio ou a chuva me desmotivam. No domingo, esteve um dia maravilhoso, com um sol cheio. Frio, sim, mas estamos em Janeiro. Nada que um bom casaco, quentinho, não resolva. Depressa me meti no 28 e cheguei ao meu destino: Belém.

    Belém é um bairro que adoro. Por razões familiares. Em pequeno, todos os sábados ia, com os pais, aos pastéis de Belém. Eu não me recordo, mas eles assim mo contam. É um bairro agradável, muito histórico. Estive lá, pela última vez, em Dezembro, com o M., quando andámos a passear pelos Jerónimos, pela Torre e pelo Museu dos Coches. Eu conheço grande parte dos museus da cidade. Repito alguns amiudadas vezes. Há outros que, todavia, não conheço. É, ou era, o caso do Museu da Marinha. Grande lacuna, que colmatei.

    O Museu da Marinha figura, até ver, como o meu favorito. É lindíssimo. Histórico, muito, como se adivinha, pelo nosso papel ligado ao mar e aos descobrimentos. Está bem coordenado, bem documentado, com toda a informação bem colocada. É extenso, com um piso superior apreciável. Começamos logo com as primeiras embarcações portuguesas para terminarmos com os paquetes do século XX. Tem centenas de maquetes de embarcações, das primeiras naus ao navios recentes. Encontramos, também, quadros e utensílios ligados à actividade piscatória, numa das salas do museu, bem como dados relativos às missões em que participa a marinha portuguesa, na actualidade. Temos acesso, ainda, a informação histórica sobre a nossa participação na I Guerra Mundial, sempre na óptica da marinha. Vale muito a pena visitar o museu. Fica situado no encantador conjunto arquitectónico dos Jerónimos. Deixo-vos algumas das (muitas) fotos que tirei.







   Na primeira foto, uma caravela portuguesa quatrocentista.
   Na segunda foto, uma das salas do museu, no piso intermédio, com maquetes.
   Na terceira foto, uma escultura indiana de D. Isabel de Aragão, também conhecida como Rainha Santa Isabel, do século XVII.
   Na quarta e última foto, um óleo retratando uma embarcação portuguesa enfrentando um mar alvoroçado.
  

   Demorei-me cerca de duas horas. Quis ver tudo com calma e atenção. À saída, e como não encontrei nenhum estabelecimento calmo para almoçar, fui ao MAAT, o mais recente museu da capital. Foi a minha segunda vez no MAAT. Fui à inauguração. Compreendo o conceito do museu, mas não é, de longe, o que me enche o olho. Aproveitei a gratuitidade do primeiro domingo também. Tem umas exposições curiosas. Destaco esta, de Bill Fontana: Shadow Soundings, na qual se reproduzem os sons do tráfego na ponte 25 de Abril.



    Antes que anoitecesse, e como estava com fome, apanhei o autocarro em direcção à Praça do Comércio. Almocei na Portugália, seguindo para casa.
    Foi um domingo diferente, que repetirei, na minha exclusiva companhia. Passeei pela avenida junto ao rio, em frente ao MAAT, tirando mais fotos para o meu acervo pessoal. Gosto imenso de sair sozinho, de ir para onde quero, como quero e à hora que quero. Sabe tão bem.

     No próximo domingo, e nos que virão, tenho outros museus e monumentos para visitar. Ficam comigo, com a certeza de que os partilharei, e aos meus passeios, convosco.


Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.

6 de janeiro de 2018

Debate Santana Lopes vs. Rui Rio / Directas no PSD.


   Não pude assistir ao debate entre os candidatos à liderança do PSD no próprio dia, quinta-feira, mas recorri à box - evolução tecnológica ímpar. Já em Outubro havia traçado o perfil político de Santana Lopes e de Rui Rio (poderão consultá-lo aqui). Estes debates, pertinentes, têm como objectivo esclarecer o eleitorado, no caso os militantes do partido, acerca da pertinência de se optar por um por outro candidato. Conhecemos as linhas-mestras da orientação de cada um, o que os divide e distingue. Contornarei, portanto, o que havia a dizer sobre ambos. Fi-lo na crónica de 9 de Outubro passado.

    Naturalmente, partilhando a mesma cor partidária, no que respeita a traços gerais da política interna e externa, Santana e Rio não se distanciam muito. A principal diferença reside na personalidade de cada um. Aí, sim, encontramos pessoas com posturas divergentes na vida pública e política. Santana é um animal político, e isso viu-se no debate, procurando confrontar Rio com opções do passado que o podem comprometer diante dos sociais-democratas. Rio foi um crítico da governação de Passos Coelho. Por outro lado, da parte de Rio não senti tanta hostilidade. Aludiu, e muito bem, ao passado governativo de Santana Lopes, quando, sendo número dois de Barroso, o substituiu como líder do governo, no ido ano de 2004, o que viria a provocar a dissolução da Assembleia da República. Rio tem o que Santana não tem: o factor novidade. Os portugueses conhecem bem Santana. A Rio, conhecem os portuenses, e quiçá os nortenhos, alargando o espectro. Rio é contido nas exteriorizações, é mais diplomata e racional. Santana é emotivo. Não teme o confronto e empenha-se em cada luta.

    Os meses em que esteve à frente da governação do país não correram bem a Santana Lopes. Nós somos também o que fomos. Creio que, aí, Santana sabe defender-se. Está confortável com esse passado, e faz pender, sobre Jorge Sampaio, presidente à época, a decisão, a seu ver errada, de ter dissolvido a Assembleia e convocado, consequentemente, novas eleições. Não houve trapalhadas, como Rio garante. Para Santana, havia uma maioria sólida que, por oportunismo de Sampaio, não pôde ir até ao término da legislatura.

    Senti, de igual modo, Santana mais determinado em construir um Portugal sólido para o futuro. Santana é herdeiro, enquanto discípulo de Sá Carneiro, de uma social-democracia próxima às escandinavas, afastada completamente do socialismo tradicional - linha de Godesberg. A competitividade e o crescimento são a grande aposta para o dia de amanhã, que temos de construir desde hoje. O controlo obstinado do défice e os estímulos ao consumo interno não chegam. Rio falou das exportações e expôs as medidas que adoptaria, mas Santana foi mais seguro, contundente, objectivo.

    São homens idóneos, íntegros. Sociais-democratas, moderados. Não haverá, estou em crer, clivagens inesperadas. O controlo das contas públicas estará sempre presente, e é necessário que assim seja. Portugal tem certa tendência para procurar viver acima das suas possibilidades. A esquerda é pródiga com os dinheiros públicos. Os sucessos do actual governo minoritário do PS, minorados pela estabilidade internacional, têm de ser refreados. Vivemos tempos de alguma pacatez, de um ciclo económico favorável. Os impostos indirectos subiram. Desde dia 1 de Janeiro, é mais caro viver-se em Portugal. O custo de vida aumentou. As mudanças nos escalões do IRS não podem justificar que atolemos as pessoas em impostos que não têm parado de subir. A solução não está no aumento. Portugal tem de se qualificar. Santana, aqui, parece saber mais o que quer para o país. Gostei de lhe ouvir uma menção à nossa comunidade científica, qualificada e que dá trunfos lá fora.

   O Estado, que em ambos não deve ser excessivamente pesado para os cidadãos, mereceu duras críticas. O Estado demitiu-se da segurança dos cidadãos: Pedrógão, Tancos, violência na noite lisboeta, e por aí fora. Há um descompromisso inaceitável. Os portugueses contribuem, e bem, para um Estado que se tem revelado ser tudo menos presente: o Estado português é omisso, negligente. O pecado do actual governo que ainda embaraça Costa. O Estado falhou, e falhou rotundamente. Esperamos consequências políticas práticas.

   A decisão final caberá aos militantes do partido. Eu não sou um deles. Não obstante, e pela primeira vez, gostei do desempenho de Santana Lopes. Procuro evitar estabelecer penas de carácter perpétuo. Santana governou, sim, mas pouco ou nada pudemos inferir dos meses em que foi Primeiro-Ministro de Portugal. Sampaio, a conjuntura que se vivia, não importa, não lhe permitiram dar-se a conhecer devidamente com as vestes de governante. Rio é mais previsível, próximo ao centro. Nesse sentido, dir-me-ia mais. Mas Santana tem aquela característica, tão sedutora, de não temer, de arriscar, de reformar para aproximar Portugal dos modelos que lhe servem de referência. E eu gosto disso. Seria interessante, no mínimo, ver um Santana Lopes combativo, líder da oposição. Costa terá a sua preferência por Rio. Conhecem-se desde os tempos de autarcas, e acreditará que Rio lhe será uma dor de cabeça menor, porque de Santana não esperará tréguas. A oposição será para doer. Disso, de certo modo, também se tem valido este governo minoritário suportado pela extrema-esquerda: da falta de uma oposição forte e lúcida. A saída de cena de Passos Coelho e a eleição do futuro líder do PSD, já no dia 13, agitarão o panorama político nacional. Marcelo quer que o governo cumpra o tempo-limite da legislatura. Ninguém parece duvidar. Este ano e o que virá, se não ocorrer uma hecatombe, serão animados.